Voltei para o plantão

Viver de escrita é complicado, então voltei a dar plantão. Eu já falei isso antes, mas detesto plantão. Hospital já é um lugar que, só o fato de estar lá, já suga sua energia, mas trabalhar em um é mais exaustivo. Sinto que estou sendo drenada por dementadores invisíveis e não há um patrono para me ajudar.

Por ora, estou aguentando bem e espero continuar assim, afinal também tenho contas a pagar, boletos chegando etc. Já decidi também que vou passar o recesso no hospital, já que início de ano sempre tem muitos gastos.

Desejem-me sorte!

Tenho andado cansada…

Quando eu reclamava de cansaço, minha mãe costumava dizer que nunca vira nada igual, tão jovem e tão cansada, pois “na sua época” conseguia fazer muito mais e blá-blá-blá. Então, para respondê-la, eu dizia que já tinha nascido cansada, o que não é mentira. Meu parto demorou muitas horas e só sai com fórceps. Ou seja, nasci cansada. Por isso, tenho a desculpa de ser cansada.

Ultimamente o que anda me cansando é a quantidade de coisas para fazer. Parece uma progressão geométrica: eu resolvo uma coisa e surgem várias outras. Estou cansada das faculdades, dos trabalhos, da produção incessante de conteúdo…

Agora, eu nem acho mais ruim criar posts ou fazer vídeos. O problema é o tempo que isso ocupa na vida. Às vezes, eu passo horas pensando e produzindo um post e ninguém dá muita bola. Outras vezes, eu posto algo feito em cima da hora e as pessoas curtem. É estranho…

Além das faculdades, trabalhos e da escrita, tenho feito o curso da Authoria, chamado Método Autor de Sucesso. É bem bom, eu recomendo! Para quem já assiste as lives e já sabe quem é Authoria fica mais fácil acompanhar as aulas, mas mesmo para leigos no mundo da escrita (como eu), o conteúdo é bem didático.

Além disso, estou fazendo a mentoria da editora Ronin. Para quem não conhece, é uma editora nacional, de Brasília, que publica autores nacionais. Olha que legal! Eles também oferecem esse programa de mentoria, que agora está na segunda turma. Tive a minha na semana passada e funciona assim: eu mando o manuscrito para eles, que leem e me chamam para um bate-papo de 1 hora. Nessa reunião, nós discutimos o texto, tiro dúvidas, eles reforçam os pontos positivos e falam a respeito dos pontos que podem ser melhorados no texto.

Confesso que eu estava preparada para receber várias críticas, pois o manuscrito que eu mandei foi o último livro que escrevi e que ainda não decidi o título. Eu ainda não tinha revisado, nem enviado para revisão, então a chance de erros era enorme. MAS… Não estava mandando um original para publicar, apenas um manuscrito para ser analisado. E eles mesmos tinham falado que tudo bem o texto não estar concluído ainda.

Para minha surpresa, eles elogiaram bastante o manuscrito, o que foi ótimo, pois renovou minhas energias semana passada. Nessa semana, porém, já me sinto cansada de novo. Por que será que somos tão inconstantes? Uma hora acho que tudo vai dar certo; em outra, acho que sou a pior escritora do mundo… Que coisa mais louca!

Para piorar, tive uma ideia muito genial de ler um capítulo por dia no mês de outubro de Drácula para os meus seguidores no Instagram. Muito genial, porque era para ser uma leitura coletiva, mas se transformou em uma leitura individual transmitida, pois alguns disseram que não podiam acompanhar a leitura de quarta a noite. O problema é que os capítulos são longos e eu não tinha conferido esse detalhe…

Quando eu li Drácula, foi tão fluido e rápido, que, na minha memória, era um livro curto. Não tinha essa lembrança dos capítulos serem longos. Enfim… Difícil… Tenho dividido os capítulos em 3 partes, porque agora o IG só aceita vídeos de até 15 minutos. Resumindo, ando cansada…

Abandono – um conto

Uma tarde de abril, logo após o almoço, meu marido me comunicou que queria me deixar. Fez isso enquanto tirávamos a mesa, de forma casual, como se falássemos do tempo. Tirou toda e qualquer possibilidade de resposta, pois sabia que eu estava atrasada para o trabalho. Apesar disso, eu paralisei com o prato na mão por alguns segundos, deliberando entre brigar ou fugir, até ouvir uma voz interna dizer “anda, depois do trabalho você resolve isso”. Então, deixei o prato na pia e disse no tom mais neutro que consegui:

— A gente conversa a noite.

Eu era assim: trabalho acima de tudo. Com pais divorciados, vivi na pele o que acontece quando a mulher não é financeiramente independente. Minha mãe nunca terminou os estudos, pois casou-se muito cedo. Viveu para casa até que meu pai foi embora e teve que batalhar muito para criar os dois filhos depois da separação. Ela sempre dizia: “nunca deixe de trabalhar por um homem”, e “nada é mais importante que a carreira”. Eu cresci ouvindo e acreditando nisso. Quando estava namorando, já deixei bem claro que nunca deixaria de trabalhar, mesmo se engravidasse. Meu marido ou futuro ex-marido, já não sei mais, parecia compreender.

O que teria motivado sua súbita vontade de me deixar? No trabalho, tentei não pensar nisso e concentrar-me nas pessoas, mas era difícil. Sempre que um casal chegava, já pensava “por quê? Por que relacionamentos acabam?” Estava nesse estado de inquietação, atendendo telefones e pacientes que chegavam para o consultório de Dr. Foyle. Trabalhava como secretária de sua clínica, um pequeno conjunto na movimentada Avenida Paulista. Estava lá há 6 anos e o trabalho era como minha primeira casa. Passava mais tempo lá do que em casa, mas isso nunca fora um problema.

Meu marido dizia que admirava mulheres como eu, decididas e independentes. Será? Alguns namorados haviam terminado comigo justamente por causa disso. Eu era independente “demais”, não precisava de um homem, diziam. Queria dizer que eu não precisava mesmo de um provedor, mas sim de um companheiro, porém as palavras sempre ficaram presas em minha garganta. Hoje percebo que era orgulho. Não queria admitir que precisava de alguém, pois isso me deixaria vulnerável, fraca. E fracos não têm lugar no mundo. 

Minha mãe trabalhou em todo tipo de emprego para nos sustentar. Fez questão que eu e meu irmão estudássemos e tivéssemos uma formação, por isso, eu não aceitaria ser um troféu. Não fui criada para ser um acessório de homem. Eu deveria ser autosuficiente. Casei, sim, mas só porque encontrei um companheiro, ou achei que tivesse encontrado. 

Conheci meu marido no curso de datilografia. Não foi amor à primeira vista. Ficamos amigos e dessa amizade nasceu o amor. Éramos parecidos, tínhamos os mesmos gostos e hobbies, compartilhávamos a mesma visão de mundo. Ele era diferente de todos os homens que conheci antes, mais maduro e seguro de si. Era exatamente o que eu precisava. Agora, o que faria sem ele?

O trabalho passou como um borrão e voltei para casa. No caminho, desacelerei algumas vezes, com medo da conversa que me aguardava. Eu sabia que não adiantava postergar o inevitável, mas quem sabe ele não havia mudado de ideia? Essa possibilidade tentava acalmar meu coração palpitante, mas eu também sabia que isso era improvável. Meu marido não era do tipo impulsivo. Não, ele pensou bastante antes de sugerir me deixar.

Em frente à casa, parei. Quase bati na minha própria porta, mas me contive. Coloquei a chave na fechadura e girei, já com falta de ar e o coração na garganta. Quando entrei, percebi que tinha sido estúpida. Ele não estava mais lá. Fora embora, levando todos os seus pertences. Na sala, o videogame havia sumido. Corri para o quarto só para ver metade do armário vazio. Até o box e a pia do banheiro, tudo estava pela metade. Não entrei em um desespero frenético como imaginei que ficaria. Só pude sentar ali mesmo no piso frio do banheiro e chorar. Senti-me patética, mas chorei compulsivamente até ficar exausta e deitar no chão frio. 

Estava completamente abandonada e sem esperanças. Por quê? A pergunta martelava em minha mente. O que eu fiz de errado? Ou o que deixei de fazer? Teria me enganado? Será que ele dizia uma coisa, mas na verdade queria outra? Os pensamentos foram se tornando cada vez mais nebulosos até que adormeci. Acordei menos de uma hora depois, rangendo os dentes de frio, e fui me arrastando para a cama. 

Acordei com o despertador tocando como quem acorda de um pesadelo. “Pronto” pensei. “Hoje é um novo dia e tudo não vai ter passado de um sonho”. Mentira. Ao abrir os olhos e ver o travesseiro vazio ao meu lado, senti uma pontada no peito. Não poderia me dar ao luxo de viver a dor do abandono, por isso, levantei e fiz o café como de costume. No meio do processo, lembrei-me que não fazia isso por mim, fazia isso para ele. Afinal, meu trabalho começava a tarde. Era ele quem saía de casa cedo. Tive raiva de mim mesma, raiva dele, mas decidi tomar o café como se fosse apenas mais um dia normal. Ia ignorar sua ausência até que ela desaparecesse, parasse de doer. Um dia ia parar, afinal o tempo cura todas as feridas.

Enquanto tentava me convencer disso, ouvia a voz da minha terapeuta dizendo: “não é assim que funciona”. Ignorei. Não me importa como funciona. Eu preciso continuar. Apenas. Nunca precisei de homem nenhum, nem para me sustentar, nem para servir de consolo. Sempre me bastei. Continuo me bastando. Sou uma mulher moderna, autossuficiente. Relacionamentos acabam. Acontece nas melhores famílias. É assim. 

“Encare suas sombras” continuou a voz. Estou encarando, pensei comigo. Estou encarando a realidade, pois em breve as contas chegam e eu preciso trabalhar. Ainda bem que não tivemos filhos. Isso foi algo que sempre tive claro. Não queria fazer meus filhos passarem pelo mesmo que eu passei, então, nunca quis ser mãe. Talvez isso fosse apenas mais uma forma de me isolar e, no meu isolamento, fingir que me basto. 

“O ser humano é sociável” disse a voz. Não, isso não se aplica a mim. Eu sempre fui antisocial. A psicologia precisa avançar mais, afinal quem sabe agora o ser humano já evoluiu a ponto de não mais depender de interações sociais? Acho que é isso. A resposta é que não preciso de ninguém. Mentira. Com quem vou conversar agora sobre as séries do Netflix? Sobre livros? Quem vai me dar um lenço quando eu chorar assistindo a um filme?

Ao menos, foi uma separação tranquila, sem choro, sem escândalos. E pelo menos, ele avisou, não foi embora para comprar pão e nunca mais voltou. Certo? Errado. Não existe “pelo menos”. Quero matá-lo, quero vingança. Desejo que ele sofra, assim como estou sofrendo. Onde estaria agora? O que estaria fazendo? Como foi que aquele cretino teve a coragem de me deixar assim, sem mais nem menos?!

Ouço o telefone tocando e corro para atender, mas não é ele. Claro que não. Por que me ligaria? É apenas engano. Penso em ligar, mas diria o que? “Por que fez isso comigo?” como uma carente? Não, eu tenho orgulho próprio. Até demais, talvez. Pode ser que meu orgulho tenha acabado com meu casamento, afinal, quantas coisas não deixei de fazer ou falar por causa dele? Não, estou apenas tentando justificar o injustificável. Ele é o errado, eu sou a vítima. É isso.

Quem eu quero enganar? Sei que tenho culpa, mas não posso admití-la. Não agora. Essa é a hora em que posso sofrer, chorar, xingar. Não posso gritar com ele, mas tenho o direito de ter pena de mim, ao menos por um dia. O desgraçado nem permitiu que eu brigasse. Toca o telefone de novo. É a operadora. Resolvo mandar mensagem. Nada. Sem resposta. O que eu esperava? Uma explicação? A razão do abandono? Eu devia saber que ele não me daria, afinal, meu pai também nunca me deu. Eles são assim: covardes. 

Pensando agora, como pude me envolver com alguém tão parecido com meu pai? Será que estou em um ciclo vicioso? Será que fui programada para ser abandonada? Bobagem! Provavelmente só preciso trabalhar, como minha mãe fez. E a vida segue, como sempre seguiu.

Um Frasco de Quetamina para Um Tigre Triste – Capítulo 3

O Resgate

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Um Frasco de Quetamina para um Tigre Triste – Capítulo 2

O cotidiano

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Por que escrevo?

Antes de tudo, amo ler! Sempre fui a nerd que vivia rodeada por livros. De tanto ler, ficava imaginando como seria ter minhas próprias histórias ali, em palavras escritas, não apenas na minha mente. Comecei a escrever para mim, sem mostrar para ninguém, pois tinha vergonha. Afinal, todo mundo tem medo de receber críticas. Até o ano passado, escrevia meu diário e alguns textos avulsos, mas não tinha me aventurado a escrever um romance, por exemplo.

Quando era criança, sonhava em ser escritora. Sou da geração Harry Potter, então achava que ser uma autora era o máximo. Mal sabia naquela época que, no Brasil, as coisas não são assim tão fáceis…

Fui crescendo e percebi que meu sonho era quase impossível. Como eu me sustentaria como escritora? Estaria destinada a ser como aqueles artistas que passam fome? Não dava para seguir uma vida tão incerta. Por isso, decidi por algo mais estável. Achei que era o melhor a fazer e, até hoje, acredito que era mesmo.

Escrever é um processo maravilhoso! É libertador e curativo. Não é por acaso que muitos psicólogos aconselham seus pacientes a escreverem diários. É um processo de reflexão e cura. O problema é viver disso. Não vou mentir. Não vivo de escrita e se dependesse apenas dela, passaria fome.

O que me leva a continuar escrevendo é a esperança de ter meu sonho realizado um dia. As coisas não vêm de forma fácil. Normalmente, é preciso muito esforço, tempo, suor e lágrimas. E tudo bem! Alguns dias, penso que sou a pior escritora do mundo, que foi a pior ideia que já tive tentar viver de escrita. Outros dias, a esperança se renova e acho que tudo vai dar certo. É estranho, paradoxal e louco. Sinto que sou quase uma bipolar com esses altos e baixos.

Porém, é assim com tudo na vida. Na faculdade, também tinha umas crises existenciais de achar que nada daquilo era para mim, não me encaixava em nada e estava fadada ao fracasso. Mas ao meu lado, estavam pessoas que passavam pelo mesmo que eu e que também estavam com as mesmas dúvidas, angústias e decepções. Mesmo quando tudo parece estar contra você, perceber que não está sozinho ajuda.

Ler é um hábito, que para alguns nasce cedo, mas para outros começa tarde. Não importa. Alguns acham que só é leitor quem lê os clássicos, mas por definição, leitor é aquele que lê e ponto. Ninguém começa lendo clássicos. Assim como ninguém começa escrevendo a Odisseia. Se eu pudesse dar um conselho para quem quer começar a escrever seria: escreva um diário! Basicamente, foi isso que me incentivou a escrever e publicar.

Um dia, minha psicóloga pediu para ler meu diário. Confesso que fiquei preocupada e pensei coisas como “será que escrevi algo bizarro?”, “mas vou ficar muito exposta”, “nossa, que vergonha”, mas tentei ignorar tudo isso e entreguei. O resultado foi “acho que você tem talento para escrever”.

Desde então, tenho escrito não só para mim, como também publico. Sendo honesta, dá medo. Às vezes, recebo críticas e acho que sou a pior do mundo. Às vezes, recebo elogios e acho que estou no caminho certo. É uma montanha-russa de emoções. O que não muda é o fato de que a escrita é, para mim, curativa. Quanto mais escrevo, melhor me conheço, mais calma fico, e o resultado fica melhor.

A você, que segue meu trabalho, meu muito obrigada! Quando vejo suas curtidas, comentários, indicações da minha página para outras pessoas, sinto que estou fazendo um bom trabalho e incentiva-me a continuar.

Parcerias Abertas

Oi, pessoal!
Estou com parcerias abertas para meu novo livro: Os Jogos Bárbaros!
É uma fantasia épica com toques de distopia.
O que o parceiro recebe é a oportunidade de ler o livro antes de todo mundo e assim que o livro for lançado, ganha também um exemplar físico + brindes.
O que eu preciso em troca é de um feedback!

Para os interessados: por favor, preencher o seguinte formulário: https://forms.gle/gioiHk8FMhq49eBc9

Vou selecionar 5 parceiros para o livro.
Ficarei feliz com seu interesse!

Obrigada!

Um Frasco de Quetamina para um Tigre Triste – Capítulo 1

O Nascimento

Nasci numa ninhada de três filhotes no Templo dos Tigres. Nós, tigres, nascemos cegos e somos bastante dependentes da mãe nos primeiros meses de vida. Eu sabia que havia mais dois comigo pelo toque, cheiro e pelos barulhos, porém dois dias após o nascimento, eles se foram, restando apenas eu e minha mãe. 

Ela não esboçou nenhuma reação quando vieram pegar meus irmãos, apesar de estar ali junto conosco. Eu miei, mas ela não acordou, e foi somente após algumas horas que minha mãe se deu conta que eles tinham sumido. Então ela chorou, pedindo desesperadamente seus filhotes de volta, mas eles não voltaram. Ao invés disso, ouvi novamente minha mãe cair no chão, dormindo profundamente. Algumas vezes, seu sono era tão pesado que nem mesmo quando eu mamava, ela não acordava. Era como se nada estivesse acontecendo ao redor. 

Mais alguns dias se passaram dessa forma, até que me tiraram de perto dela e me colocaram no colo de uma moça humana. Ela segurava uma mamadeira, mas não entendi porquê precisava tomar aquele leite se mamava na minha mãe. Ela colocou a mamadeira na minha boca e fui tomando o leite, enquanto os humanos ao redor exclamavam “nossa, que fofo!”, “como ele é lindo!”, “ownn…”

Não tomei todo o leite que me ofereceram aquele dia, mas depois sim, pois não voltei mais a mamar na minha mãe. Nós fomos separados. Chorei por vários dias, assim como os outros filhotes, também separados das mães. Por quê? Só para tomarmos o leite da mamadeira? Imagino que nunca saberei a resposta.

As mães, ao contrário do que se possa imaginar, não choraram por nós. Pareciam acostumadas, ou então, estavam dormindo. A minha provavelmente dormia. Nem sei se ela reparou que eu não estava mais ali. O lugar onde eu estava agora era habitado apenas por filhotes. Eu já tinha aberto os olhos e não era mais um bebê tigre cego, mas ainda não enxergava perfeitamente. Para mim, tudo era escuro, mas via os vultos passando.

Nós, filhotes, brincávamos bastante juntos. O problema maior era a comida. De dia, tomávamos leite nas mamadeiras, mas a noite passávamos fome. Aprendi que precisava aproveitar para tomar todo o leite que conseguisse de dia, o que gerava mais reações dos humanos similares às que já mencionei.

Conforme fomos crescendo, fomos retirados do local onde ficávamos e deixados junto com os outros adultos. Reencontrei minha mãe, mas ela não pareceu me reconhecer, o que devo dizer que foi muito decepcionante e triste. Talvez, o que quer eles dêem para ela, cause perda de memória, pois nem havia se passado tanto tempo assim. Na natureza, é comum que mães e filhotes permaneçam juntos por até 2 anos e nós ficamos afastados por apenas alguns meses, mas pareceu uma eternidade para mim. 

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